Gagueira não tem graça, tem tratamento

Gagueira

 

Gagueira. Muitas amigas mães já me comentaram que os filhos no processo de desaenvolvimento da fala estavam apresentando gagueira e que estavam um pouco preocupadas. Em outro momento, percebi certa aflição do Théo ao tentar se expressar e não conseguir, repetindo algumas sílabas, mas esse período foi curto e não reincidiu. Vale a pena observar se a gagueira se manifesta para que você possa procurar um profissional na época certa. Esse é o texto da Coluna de Psicologia Infantil escrito pela Psicóloca Carla Ribeiro. Aproveite e deixe um comentário.

 

Após a descoberta da fala, de sua apreensão e emprego ela pode surgir, não escolhe em quais crianças irá aparecer, por isso a informação e o esclarecimento sobre a gagueira é uma forma de desmistificar o estigma que envolve ainda hoje zombaria e olhares estranhos.

 

Se gagueja por quê se pensa mais rápido do que se fala? Não! Segundo o Instituto Brasileiro de Fluência – IBF, a velocidade das informações corre em  400 km/h na sinapse elétrica de um neurônio para outro. Portanto, a velocidade do pensamento não pode ser a causa da gagueira, porque todo mundo pensa mais rápido do que fala, mas nem todo mundo gagueja.
Há dois tipos de gagueira, a patológica e a natural sendo em ambos os casos mais comum em meninos.

 

A tartamudez, CID-10 F98.5, conhecida popularmente como gagueira patológica é um distúrbio adquirido causado por uma falha nos chamados “núcleos da base” do cérebro por não conseguirem se ajustar adequadamente ao tempo de duração de sons ou sílabas, gerando alongamentos, bloqueios ou repetições. Sendo persistente, com maior e menor gravidade à crônico, de origem genética e/ou orgânica.

 

A gagueira natural não costuma persistir por mais de seis meses em média, segundo a literatura, geralmente aparece entre os 2 ou 4 anos ou entre 7 e 10 anos de idade. Oscilando sua apresentação em diferentes situações e intensidade, some no canto e se faz presente durante a comunicação quando a criança se sente intimidada, seja pela pouca receptividade do interlocutor ou pela emoção que sente em relação ao tema em questão.
As pessoas gagas não são mais propensas a serem nervosas. Os fatores psicológicos podem agravar a gagueira, crianças gagas podem apresentar ansiedade, insegurança, timidez e/ou baixa auto-estima para falar, em razão da reação de terceiros e das consequências que a gagueira traz no cotidiano.

 

Tendo em vista que a ocorrência da gagueira é involuntária, tratamento costumava ser indicado apenas se o problema persistia após a idade pré-escolar, já que a gagueira tende a desaparecer espontaneamente. Seu tratamento em geral é realizado com avaliação inicial fonoaudiólogo e no segundo momento do psicólogo.

 

O fonoaudiólogo especializado em gagueira avaliará o risco da gagueira se tornar crônica. Fatores de risco incluem: a criança ser do sexo masculino, a existência de outros familiares com gagueira, a ocorrência de complicações durante o parto (prematuridade, baixo peso ao nascer, hipóxia), ocorrência de traumatismo craniano com perda temporária da consciência, dentre outros. Somente um profissional especializado saberá avaliar adequadamente o risco para gagueira.

 

O psicólogo entra na segunda fase, dando suporte ao acompanhamento fonoaudiólogo, pois a criança na intenção de trabalhar e minimizar o receio e o medo de errar, ampliar a disposição em lidar com as adversidades, zombarias dos colegas e baixa estima. Quem gagueja não apresenta, necessariamente, algum problema psicológico e nem terá que se submeter obrigatoriamente a uma psicoterapia, entretanto o acompanhamento auxilia a potencializar e aprimorar habilidades e assim, obtém maior eficiência e apropriação dos resultados adquiridos em conjunto com o fonoaudiólogo.

 

Na maioria das crianças, a gagueira melhora espontaneamente em até 1 ano após o aparecimento dos primeiros sintomas, segundo o IBF. Entretanto, os pais não têm como saber de antemão quais as chances de ocorrer melhora espontânea com seu filho. Por isso, é fundamental realizar uma avaliação especializada para saber se é mais alta a chance de a gagueira melhorar espontaneamente ou persistir.

 

Carla Ribeiro

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